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TechnosolarTecnologia solar explicada
Hardware

Componentes de um sistema fotovoltaico

Um sistema solar é a soma de peças com funções bem definidas: gerar, converter, proteger, sustentar, conectar e, às vezes, armazenar. Conheça cada uma delas, sem marcas e com foco no que importa tecnicamente.

Corte de uma célula fotovoltaica mostrando contatos, camada antirreflexo, silício tipo n, junção p-n, silício tipo p e contato traseiro
Geração

Tipos de painel solar

O módulo é formado por células ligadas em série, encapsuladas entre vidro e uma folha traseira (ou um segundo vidro), com moldura de alumínio e caixa de junção. O que muda entre os tipos é a forma como as células são produzidas e montadas.

Painéis monocristalino, policristalino, bifacial e half-cell lado a lado
Aparência típica de diferentes tecnologias de módulo.

Monocristalino

As células vêm de um lingote de cristal único de silício, o que reduz defeitos e aumenta a eficiência. Têm cor escura e uniforme. A arquitetura PERC, com camada de passivação na face traseira, foi o padrão por vários anos.

Policristalino

Produzido a partir de silício fundido que solidifica em vários cristais. É reconhecível pelo tom azulado e "granulado". Mais barato de fabricar no passado, perdeu espaço por ter eficiência menor.

Half-cell (meia célula)

As células são cortadas ao meio, e o módulo passa a ter duas metades ligadas em paralelo. A corrente em cada célula cai pela metade, o que reduz perdas resistivas e melhora a tolerância a sombras em parte do módulo.

TOPCon

Sigla de Tunnel Oxide Passivated Contact. Usa silício tipo n e uma camada de óxido ultrafina com silício dopado para reduzir perdas nos contatos. Tornou-se a arquitetura predominante em módulos novos.

Bifacial

Capta luz pelas duas faces. A traseira aproveita a luz refletida pelo solo (albedo), com ganho que depende da altura e da superfície abaixo. Muito usado em usinas de solo, geralmente em construção vidro-vidro.

Outras arquiteturas

Heterojunção (HJT) e contatos traseiros (back contact) também estão no mercado. Em laboratório, células tandem com perovskita superam o limite teórico do silício sozinho, mas ainda enfrentam desafios de durabilidade.

Na ficha técnica, compare potência (Wp), eficiência (%), coeficiente de temperatura (%/°C), garantia de produto e de desempenho e registro no Inmetro. Leia o guia de tipos de painel →

Conversão

Inversores, microinversores e otimizadores

  • Inversor string: um equipamento central recebe uma ou mais strings (módulos em série). Pode ter vários MPPTs para tratar orientações diferentes.
  • Microinversor: converte a energia de um ou poucos módulos, instalado sob eles. Cada módulo trabalha de forma independente.
  • Otimizador de potência: faz o rastreamento de máxima potência em cada módulo, mas a conversão acontece em um inversor central.
  • Inversor híbrido: administra módulos, baterias e rede ao mesmo tempo.

Microinversor ou inversor string? →

Comparação entre um inversor string na parede e microinversores sob os módulos
Inversor string x microinversores.
Tabela interativa

Comparativo sem marcas

Escolha a categoria e marque as tecnologias que quer comparar. As descrições são gerais: o desempenho real depende de cada modelo e do projeto.

Comparar
Módulos fotovoltaicos: comparação sem marcas
CritérioMonocristalino (PERC)PolicristalinoHalf-cell (meia célula)TOPConBifacial
Como éCélulas de cristal único, cor escura e uniformeVários cristais, tom azulado e aspecto granuladoCélulas cortadas ao meio, módulo dividido em duas metadesCélula tipo n com contato passivado por óxido ultrafinoCapta luz pelas duas faces, geralmente vidro-vidro
Eficiência típicaAltaMenorAltaMuito altaAlta (frente) + ganho traseiro
Comportamento no calorBomRegularBomMuito bomBom
Onde se destacaTelhados residenciais e comerciaisSistemas antigos e aplicações de baixo custoTelhados com sombras parciaisMódulos novos de alta potênciaUsinas de solo e estruturas elevadas
Prós
  • Boa potência por área
  • Tecnologia madura e muito difundida
  • Processo de fabricação mais simples
  • Grande base instalada
  • Menores perdas resistivas
  • Melhor tolerância a sombras em parte do módulo
  • Alta eficiência
  • Menor degradação inicial em muitos modelos
  • Aproveita luz refletida pelo solo
  • Construção vidro-vidro robusta
Contras
  • Vem sendo substituído por arquiteturas mais novas
  • Coeficiente de temperatura inferior ao de TOPCon e HJT
  • Menor eficiência, exige mais área
  • Praticamente fora de linha nas fábricas atuais
  • Mais conexões internas
  • Não é uma tecnologia de célula, e sim de montagem
  • Tecnologia mais recente, histórico de campo menor
  • Exige atenção a especificações de durabilidade
  • Ganho pequeno em telhados colados à cobertura
  • Mais pesado
Comparar
Conversão de energia: comparação sem marcas
CritérioInversor stringMicroinversorOtimizador + inversorInversor híbrido
Como funcionaUm equipamento recebe strings de módulos em sérieUm inversor por módulo ou por poucos módulosOtimizador em cada módulo e conversão em inversor centralGerencia módulos, baterias e rede
Sombras parciaisSombra em um módulo pode afetar a stringEfeito restrito ao módulo sombreadoEfeito reduzido por móduloSimilar ao string
MonitoramentoPor inversor ou por stringMódulo a móduloMódulo a móduloInclui estado da bateria
Onde se destacaTelhados uniformes, comércio e indústriaTelhados recortados ou com sombrasProjetos que pedem rastreamento individualSistemas com armazenamento
Prós
  • Menos equipamentos no telhado
  • Manutenção concentrada em local acessível
  • Produção independente por módulo
  • Tensões contínuas baixas no telhado
  • Rastreamento individual de potência
  • Conversão concentrada
  • Permite backup em quedas de energia
  • Uso noturno da energia armazenada
Contras
  • Sensível a sombras e orientações diferentes
  • Tensões contínuas mais altas no cabeamento
  • Muitos equipamentos no telhado
  • Manutenção exige acesso à cobertura
  • Dois tipos de equipamento
  • Componentes eletrônicos no telhado
  • Maior complexidade
  • Depende de baterias compatíveis
Sustentação

Estruturas de fixação

Prendem os módulos ao telhado, à laje ou ao solo e precisam resistir ao peso, ao vento e à corrosão por décadas.

  • Telhado cerâmico ou de concreto: ganchos fixados nos caibros, por baixo das telhas, sustentam os trilhos.
  • Telhado metálico: perfis ou trilhos curtos fixados diretamente nas telhas, com vedação.
  • Fibrocimento: parafusos estruturais com vedação, respeitando a fragilidade das telhas.
  • Laje e solo: estruturas com inclinação definida em projeto, com lastro ou fundações.

Grampos intermediários e finais prendem os módulos aos trilhos. Em regiões litorâneas, materiais e parafusos devem ser adequados a ambientes agressivos.

Estrutura de fixação com trilho, ganchos e grampos prendendo módulos a um telhado
Trilhos, ganchos e grampos de fixação.
Proteção

String box

Caixa de proteção instalada entre os módulos e o inversor, no lado de corrente contínua. Costuma reunir:

  • Fusíveis ou disjuntores CC: protegem as strings contra correntes reversas e sobrecorrentes;
  • Chave seccionadora: permite isolar os módulos do inversor para manutenção;
  • DPS de corrente contínua: limita surtos induzidos por descargas atmosféricas.

Muitos inversores já integram parte dessas proteções. A necessidade e a configuração da string box são definidas no projeto. Leia sobre string box →

String box aberta com fusíveis, chave seccionadora e dispositivos de proteção contra surtos
String box: proteções do lado de corrente contínua.

Cabos e conectores

No lado de corrente contínua, usam-se cabos próprios para sistemas fotovoltaicos, com isolação resistente a radiação ultravioleta, temperatura e umidade. A seção é dimensionada para a corrente das strings e para limitar a queda de tensão.

Os módulos são interligados por conectores de engate rápido com vedação. Uma regra importante: conectar apenas peças compatíveis entre si. Conectores de modelos diferentes podem ter tolerâncias distintas, criando mau contato, aquecimento e risco de arco elétrico.

No lado de corrente alternada, valem as regras gerais de instalações elétricas de baixa tensão, com circuito exclusivo, disjuntor, DPS e aterramento definidos em projeto.

Baterias

Presentes em sistemas off-grid e híbridos, guardam energia para uso posterior. Nos sistemas novos, predominam as de lítio-ferro-fosfato (LiFePO₄), com sistema eletrônico de gerenciamento (BMS) que controla carga, descarga e temperatura. Baterias de chumbo-ácido ainda aparecem em sistemas isolados mais simples.

  • Capacidade útil (kWh): energia que pode ser usada sem comprometer a vida útil.
  • Potência (kW): quanto a bateria entrega simultaneamente.
  • Ciclos: número de cargas e descargas até perder parte relevante da capacidade.

As descrições desta página são gerais e não substituem a ficha técnica de cada equipamento nem o projeto feito por profissional habilitado.